O diário oficial da FEB, o jornal carioca Correio Espírita (sic), na edição deste mês, não publicou uma só linha sobre a preocupante vitória de um fascista cujo programa de governo promete arrasar com o país e eliminar os direitos dos brasileiros. Em seu lugar, deu destaque a uma fútil polêmica envolvendo uma boneca que sequer é assunto nos meios mais sérios.
Este desvio de assunto para uma coisa que não causa preocupação séria, confrontado com o desprezo a um fato realmente preocupante, sinaliza o apoio da FEB a Jair Bolsonaro, embora nenhum "espírita" tenha assumido publicamente o apoio. Talvez com medo de manchar a sua imagem, se associando a um tipo tão controverso.
Mesmo não sendo o mesmo Espiritismo progressista dos tempos de Allan Kardec, "espíritas" brasileiros deveriam manifestar a preocupação com a entrada de um fascista no poder. Até porque, mesmo deturpado, o "Espiritismo" brasileiro se comprometeu com a caridade. Mesmo precária, a preocupação de "espíritas com os mais carentes é existente.
Mas não foi isso que se viu na edição do Correio Espírita (sic). O silêncio de um jornal oficial do "Espiritismo" brasileiro diante da entrada de um governo fascista no Brasil é ensurdecedor. Um silêncio altamente barulhento. Muitas vidas podem ser prejudicadas ou até eliminadas por culpa do governo que se instala e os "espíritas", que patentearam o humanismo, se calam diante disso?
É mais do que óbvio que oficialmente, o "Espiritismo" brasileiro apoia Bolsonaro. As declarações de Chico Xavier no Pinga Fogo em 1971 e as de Divaldo Franco em uma palestra no ano passado mostram que ambos, entusiastas da Teologia do Sofrimento (aquela que diz que sofrer é bom), apoiariam claramente a chegada de Bolsonaro na Presidência da República.
Mas esta postura não é oficialmente assumida, o que causa uma certa confusão. Recentemente, um manifesto assinado por espíritas (sem aspas) progressistas contra o Fascismo deu a impressão que o "Espiritismo" brasileiro estava contra Bolsonaro, que venceu as eleições graças a muitas mentiras inventadas sobre seu adversário e os apoiadores deste.
Só que os signatários do manifesto, simpatizantes dos ideais de esquerda que Kardec defendia, são críticos da FEB e de seus maiores garotos propagandas (Chico e Divaldo), não reconhecendo o igrejismo consagrado pelo "médium" de Pedro Leopoldo, considerando-o um intruso católico na doutrina.
Ou seja, os dois Espiritismos estavam de lados opostos: o kardeciano (científico) com Haddad e o chiquista (igrejeiro ou místico) com Bolsonaro. Mas como o da FEB (chiquista) é mais conhecido pela opinião pública, preferimos admitir que o "Espiritismo" brasileiro oficialmente apoia Bolsonaro.
O silêncio nos meios "espíritas" diante da vitória de um fascista despreparado com um programa de governo destrutivo mostra a irresponsabilidade da igreja espírita, cada vez mais divorciada da realidade, caminhando gradativamente para o seu fim, por não oferecer mais a suposta racionalidade que a fez famosa.
Comentários
Postar um comentário