Já falamos inúmeras vezes que só a pronuncia do nome "Chico Xavier" desperta o mais doentio fanatismo. O beato de Pedro Leopoldo despertou uma idolatria graças a construção falsa de sua imagem, que acabou transformando-o em um semi-deus colecionador de qualidades humanas, super-poderoso, super-influente, infinitamente bondoso e que nunca erra, além de estar em contato permanente com o "alto" e com os "maiores intelectuais do universo". Tudo falso.
Claro que por isso, tudo que é relacionado ao beato se torna também objeto de adoração cega. Adoração tão cega que consegue enganar inclusive um semiólogo capaz de observar contradições em um caso como a destruição das torres gêmeas de Nova York em 2001, mas não consegue perceber os truques de linguagem do livro Nosso Lar, cujo conteúdo foi reprovado por Allan Kardec, muito antes do lançamento do citado livro.
Essa adoração faz com que a tolice que foi chamada de "Data Limite" fosse tratada como "profecia" a ser levada a sério por gente que deveria estar pensando em soluções para os problemas do planeta e não perdendo tempo tentando usar um reles sonho de conteúdo igrejeiro para "canonizar" um charlatão esquizofrênico.
TV ABERTA RETOMOU O TEMA DA "DATA LIMITE"
Esperávamos que com as discussões em redes sociais, Chico Xavier seria definitivamente desmascarado como farsante que sempre foi, encerrando todo o assunto. Só que em maio passado, no dia 20, o canal de televisão aberta Gazeta resolveu retomar o mito atribuído ao beato mineiro, ao tocar no assunto através do programa Mulheres, que pelo nome, dá para perceber se tratar de um programa para donas de casas.
TVs como a Gazeta, assim como emissoras popularescas como SBT, Record, Rede TV e similares, são fascinadas pelo grotesco e pelo bizarro. Em emissoras do tipo que a música brega, de características ridículas, se tornou popular. Circos dos horrores com pessoas deformadas convertidas em atrações curiosas eram mostradas com frequência. E claro, ETs e espíritos, para cerejar o bolo das bizarrices.
O fascínio pelo bizarro fez com que o canal retomasse um tema que deveria ter sido enterrado há tempos: a tal "profecia" da "Data Limite". Não sabemos se por fé religiosa apenas ou se entrou um dinheiro extra na emissora para isso, mas o assunto foi colocado em pauta no programa, certamente para tentar manter aceso o fanatismo em torno do suposto "médium".
Estudos sérios - os não sérios, também existentes, tentam legitimar a palhaçada - comprovam que tal "profecia" é uma farsa, pois além de Xavier nunca ter sido um médium de fato, o sonho tinha características de pura fé religiosa e muitos erros científicos de vários tipos, inclusive geográficos.
SONHO DE CARACTERÍSTICAS CATÓLICAS E NÃO ESPÍRITAS, MUITO MENOS CIENTIFICAS
Parece, ao mesmo tempo cômodo e divertido acreditar que um velho supostamente humilde e bondoso fizesse uma previsão que envolvesse toda a humanidade, embora estivesse vinculado a uma religião determinada. Espiritismo? Não. Catolicismo medieval. Sim, porque personagens católicos aparecem no famigerado sonho, que nada tinha de espírita e de científico, embora tenha sido considerado como tal.
O sonho, que na verdade é uma manifestação subconsciente da fé religiosa do beato mineiro, foi transformada em profecia por um jovem de nome Geraldo, com aparência curiosa de seminarista católico - olhem aí! - e que provavelmente estava interessado em transformar o suposto "médium" em profeta, na tentativa vã de promovê-lo e acrescentar mais qualidades a seu falso caráter sobre-humano.
Mas não apenas Geraldo, como vários outros, embarcaram na tolice de desenvolver o mito da "profecia", criando uma das mentiras mais bem montadas do Brasil (mais até que a condenação injusta de Lula, que já não convence mais nem os direitistas mais ignorantes).
Muito tempo e muito dinheiro foi gasto para desenvolver e manter a farsa da "profecia". Tudo poderia ter morrido na conversa entre Chico e Geraldo, mas o interesse em aumentar as vendas dos livros supostamente "psicografados" por "Francisco Cândido Xavier" (que de "cândido " não tinha nada), fez com que muita gente se envolvesse no trabalho de construir e desenvolver a farsa. Uma farsa planejada para ser bem sucedida.
IGNORÂNCIA DO POVO BRASILEIRO FACILITA IDOLATRIA A CHICO XAVIER
Afinal, quem não iria comprar um livro escrito por profeta que era um altruísta incansável, líder da religião considerada a mais moderna de todas? Um plano bem feito, que só deu certo pelo fato do povo brasileiro ser um dos mais ignorantes do mundo. Em países de alto nível intelectual, Chico Xavier teria sido desmascarado imediatamente, no início de suas atividades.
Mas como brasileiros são místicos (religiões, astrologia e ufologia seguem em alta e ainda respeitadas, com leis as protegendo), foi muito fácil enganar muita gente com a farsa de Chico Xavier. Farsa que a equipe deste blog pensava ter sido superada até sermos surpreendidos com o video do canal da TV Gazeta, fartamente divulgado no YouTube.
Sinal de que a ingenua credulidade em torno do suposto "médium" ainda continua forte e capaz de atrair audiência, graças ao fanatismo em torno de um esquizofrênico que fingia conversar com os mortos, fanatismo que continua forte, reforçado pelo mito de "altruísmo extremo" atribuído a beato.
Esperamos que a tal "profecia" seja desmascarada pelos fatos, pois não adianta dizer que o beato era um charlatão, pois seus admiradores tapam os ouvidos mesmo diante de fatos reais e provas incontestáveis. Chico Xavier é um ópio que ainda traz conforto para muita gente. E como todo entorpecente, fica complicado convencer viciados a largá-lo.
Os fatos desmascararão Xavier, jogando-o definitivamente na lixeira onde estão os maiores farsantes da História mundial. Vamos esperar. Nem todo vício é eterno.
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